A saída da Tanzânia foi breve, seguindo-se um curto circuito até ao rio, que deveríamos atravessar a pé e de barco. Negociados alguns meticais (moeda de Moçambique), lá arranjámos alguns "voluntários" para nos carregarem as malas. Pelo leito do rio caminhámos uns 10 minutos até que tivemos de entrar numa pequena embarcação que metia água por todos os lados.Asseguraram-nos que não ía ao fundo, nem virava. Duvidámos de ambas as garantias. Mas chegámos sãos à outra margem, onde novos moçambicanos e tanzanianos lutavam por nos dar boleia até Mocimboa da Praia, a perto de 150 km, novamente por caminhos de qualidade... enfim... Fizemos sete quilómetros na traseira de uma pick-up até ao posto fronteiriço. Na véspera, ainda na Tanzânia, garantiram-nos que na fronteira de Moçambique íamos ser tratados como príncipes, pois também falávamos português. Na prática, ficámos a saber que os tanzanianos não sabem o que dizem. Da pior forma. A ritmo tartaruga octogenária paralítica, o zeloso funcionário da emigração despachava os parcos "clientes" a uma velocidade alucinantemente... parada! Ainda por cima - oh que surpresa!! - os três portugueses, únicos turistas, ficaram para o fim. "De onde vêm? Não foram à embaixada tratar do visto"?, questionou.Morais, surpreso, disse que não e que era natural fazê-lo na fronteira."Aqui não estamos autorizados a dar vistos. Devem voltar a Dar es Salaam", retorquiu.JAMAIS, pensámos, em uníssono, quando debatemos o assunto entre os três.O funcionário da emigração lá foi ligar para o seu superior hierárquico. Saiu da cubata e afastou-se uns 30 metros para uma zona em que alegadamente tem rede. Este ali uma meia hora a olhar para o telemóvel. Sem lhe vislumbrarmos uma tentativa de chamada, regressou ao posto. "Somos jornalistas e estamos a fazer um amplo trabalho sobre esta parte de África e em Moçambique vamos falar com várias personalidades importantes, incluíndo o Ministro do Turismo.Se esses planos forem alterados, alguém terá de ser responsabilizado", dissemos-lhe, depois deste desautorizar os militares (sugeriram uma guia para tratarmos dos vistos em Pemba)."Eles não percebem nada disto. E o funcionário da emigração sou eu", marcou posição.Depois, quando viu que poderia ter problemas, mudou o ar superior para um mais dialogantee "disponível para ajudar". Algum tempo e paciência depois, lá tivemos autorização para prosseguir viagem até Mocimboa Praia, onde um pachorrento funcionário alfandegário apareceu para selar os passaportes (no caso do Batista, tudo foi feito sem a sua presença, pois este estava na pick-up a tratar que nenhuma mala evaporasse com o calor). Ainda na fronteira, e quando já tinhamos subido para a pic-up, um fulano não identificado (vestido à civil) chamou-nos para a caserna (mesma cubata, mas, mas divisão ao lado) onde observou demoradamente os passaportes. Com um ar sério e grave (cheirava-lhe a dinheiro), mas acabou por ganhar o mesmo que "a Maria no meio do milho". Antes, os militares também nos "convidaram" a entrar "para nos conhecermos melhor". Tanta simpatia acabou, porém, por resultar em nada de nada em termos de "subsídios".Como fomos os últimos a despachar-nos, adivinhem quem ficou com os piores lugares na ultra-apinhada pick-up? Sim, nós! Sentadinhos na parte de trás, entalados como podíamos e a vociferar contra cada um dos intermináveis saltos que a carrinha dava ao "voar" sobre terra firme (descobrimos ossinhos, doridos, que pensávamos não ter)..17 adultos e duas crianças. Finalmente, Mocimboa da Praia recebeu-nos com uma festa muçulmana, um restaurante com colunas nas alturas e a rua a virar automaticamente uma discoteca, onde os miúdos (duas centenas entre os 08 e os 12 anos) mostravam arte para brilhar em qualquer pista de dança do planeta. sábado, 5 de dezembro de 2009
Chegamos a Moçambique
A saída da Tanzânia foi breve, seguindo-se um curto circuito até ao rio, que deveríamos atravessar a pé e de barco. Negociados alguns meticais (moeda de Moçambique), lá arranjámos alguns "voluntários" para nos carregarem as malas. Pelo leito do rio caminhámos uns 10 minutos até que tivemos de entrar numa pequena embarcação que metia água por todos os lados.Asseguraram-nos que não ía ao fundo, nem virava. Duvidámos de ambas as garantias. Mas chegámos sãos à outra margem, onde novos moçambicanos e tanzanianos lutavam por nos dar boleia até Mocimboa da Praia, a perto de 150 km, novamente por caminhos de qualidade... enfim... Fizemos sete quilómetros na traseira de uma pick-up até ao posto fronteiriço. Na véspera, ainda na Tanzânia, garantiram-nos que na fronteira de Moçambique íamos ser tratados como príncipes, pois também falávamos português. Na prática, ficámos a saber que os tanzanianos não sabem o que dizem. Da pior forma. A ritmo tartaruga octogenária paralítica, o zeloso funcionário da emigração despachava os parcos "clientes" a uma velocidade alucinantemente... parada! Ainda por cima - oh que surpresa!! - os três portugueses, únicos turistas, ficaram para o fim. "De onde vêm? Não foram à embaixada tratar do visto"?, questionou.Morais, surpreso, disse que não e que era natural fazê-lo na fronteira."Aqui não estamos autorizados a dar vistos. Devem voltar a Dar es Salaam", retorquiu.JAMAIS, pensámos, em uníssono, quando debatemos o assunto entre os três.O funcionário da emigração lá foi ligar para o seu superior hierárquico. Saiu da cubata e afastou-se uns 30 metros para uma zona em que alegadamente tem rede. Este ali uma meia hora a olhar para o telemóvel. Sem lhe vislumbrarmos uma tentativa de chamada, regressou ao posto. "Somos jornalistas e estamos a fazer um amplo trabalho sobre esta parte de África e em Moçambique vamos falar com várias personalidades importantes, incluíndo o Ministro do Turismo.Se esses planos forem alterados, alguém terá de ser responsabilizado", dissemos-lhe, depois deste desautorizar os militares (sugeriram uma guia para tratarmos dos vistos em Pemba)."Eles não percebem nada disto. E o funcionário da emigração sou eu", marcou posição.Depois, quando viu que poderia ter problemas, mudou o ar superior para um mais dialogantee "disponível para ajudar". Algum tempo e paciência depois, lá tivemos autorização para prosseguir viagem até Mocimboa Praia, onde um pachorrento funcionário alfandegário apareceu para selar os passaportes (no caso do Batista, tudo foi feito sem a sua presença, pois este estava na pick-up a tratar que nenhuma mala evaporasse com o calor). Ainda na fronteira, e quando já tinhamos subido para a pic-up, um fulano não identificado (vestido à civil) chamou-nos para a caserna (mesma cubata, mas, mas divisão ao lado) onde observou demoradamente os passaportes. Com um ar sério e grave (cheirava-lhe a dinheiro), mas acabou por ganhar o mesmo que "a Maria no meio do milho". Antes, os militares também nos "convidaram" a entrar "para nos conhecermos melhor". Tanta simpatia acabou, porém, por resultar em nada de nada em termos de "subsídios".Como fomos os últimos a despachar-nos, adivinhem quem ficou com os piores lugares na ultra-apinhada pick-up? Sim, nós! Sentadinhos na parte de trás, entalados como podíamos e a vociferar contra cada um dos intermináveis saltos que a carrinha dava ao "voar" sobre terra firme (descobrimos ossinhos, doridos, que pensávamos não ter)..17 adultos e duas crianças. Finalmente, Mocimboa da Praia recebeu-nos com uma festa muçulmana, um restaurante com colunas nas alturas e a rua a virar automaticamente uma discoteca, onde os miúdos (duas centenas entre os 08 e os 12 anos) mostravam arte para brilhar em qualquer pista de dança do planeta. sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Sim, tocámos o Paraíso
Finalmente, o sonho em tons de azul. É com cenários destes que os pagãos Rui e double Carlos admitem a possibilidade de haver alguém "superior" a pincelar quadros desta beleza. Uma imensa palete de estimulantes e cristalinos azuis, uma água que tanto refresca do calor como nos aquece a pele e a alma... Uma finíssima areia branca a perder de vista, um blue sky a combinar com o resto da paisagem e um pôr-de-sol único, com múltiplas configurações. Tal como os reflexos da lua no tranquilo mar, incapaz de ousar provocar ondas. Sim, dá mesmo para adormecer. Paz de alma. É em lugares assim que é possível atingi-la.Não vamos maçar-vos com adjectivos: deixamo-vos com algumas fotos em que mostrámos o que sentimos...


John Baptiste Timótio da Silva
Afinal não falava português, mas John da Silva é mesmo um "postal" obrigatório em Zanzibar. Ou, melhor, em Stone Town. Este goense que também tem nacionalidade portuguesa é, muito provavelmente, o cidadão que melhor conhece a ilha e a sua história. Recebeu-nos amavelmente em sua casa enquanto se predispôs a conceder-nos uma "entrevista". Mostrou-nos vários livros e artigos de imprensa em que é retratado e retrata Zanzibar. A pintura é, curiosamente, a melhor forma de o fazer. Mas também é perito em fotografia e não se envergonha na escrita.
Despedimo-nos da cidade com barrigada de Pizza Zanzibar. A noite ía ser longa. Levamos duas cada um para o ferry, onde iríamos passar a noite. Partimos às 22:00 e só às 06:00 estaríamos autorizados a desembarcar em Dar es Salaam, poiso porto tem horas de funcionamento. Comodamente instalados na zona VIP (as nossas amigas islâmicas fizeram questão de escrever "VIP"no bilhete, mas não sabiam dizer o que significava esse "valor acrescentado"), não tardou muito até pedirmos os nossos colchões para os espalharmos no cómodo chão. No andar em baixo, eram às centenas apinhados no chão e no convés. Os 20 dólares ao menos servem para algo...Já em terra, foi um contra-relógio para apanhar o bus para Matwara. Saía às 06:00, mas já eram 06:30, pelo que tivemos de apanhar um taxi e, com um "gimbras" locais, em grande velocidade até uma estação a Sul onde apanhámos o velho autocarro, já de saída. Pediram-nos 30.000 shillings, pagámos 20.000, mas devíamos ter dispendido apenas metade. Mas em África, a côr conta e a do dinheiro está patente em tons de... branco. Sabíamos que uns 600 km em autocarro marado da "Southern Express" iam ser dose, mas desconhecíamos que o motorista era completamente louco, "voando" a mais de 120 km/hora em caminhos de terra polvilhados de buracos e lombas. Adivinhem? Sentámo-nos na penúltima fila, sinónimo de que íamos sentir cada um dos (inúmeros)altos e baixos que o nosso corpo acompanhava com dorida paciência. Mesmo tomando precauções para evitar graves danos de coluna, Batista e Morais não evitaram ferimentos. Os braços têm marcas da violência da viagem. A ver se a crosta dura até Portugal...A cerca de uma hora do fim da viagem, "engasgou" e parou. Faltava gasolina. A bomba estava a uns meros dois ou três kms, mas estivemos quase uma hora parados. Já na confusa estação de Mtwara, negociámos rápida incursão para a fronteira, mas quando vimos que íamos viajar na traseira de uma pick-up por 40 km em caminhos de cabras, decidimos poupar o nosso já muito desgastado corpinho. Em boa hora o fizemos. A fronteira moçambicana fecha às 17:30 e jamais chegaríamos a horas. Teríamos de pernoitar no mato...
Despedimo-nos da cidade com barrigada de Pizza Zanzibar. A noite ía ser longa. Levamos duas cada um para o ferry, onde iríamos passar a noite. Partimos às 22:00 e só às 06:00 estaríamos autorizados a desembarcar em Dar es Salaam, poiso porto tem horas de funcionamento. Comodamente instalados na zona VIP (as nossas amigas islâmicas fizeram questão de escrever "VIP"no bilhete, mas não sabiam dizer o que significava esse "valor acrescentado"), não tardou muito até pedirmos os nossos colchões para os espalharmos no cómodo chão. No andar em baixo, eram às centenas apinhados no chão e no convés. Os 20 dólares ao menos servem para algo...Já em terra, foi um contra-relógio para apanhar o bus para Matwara. Saía às 06:00, mas já eram 06:30, pelo que tivemos de apanhar um taxi e, com um "gimbras" locais, em grande velocidade até uma estação a Sul onde apanhámos o velho autocarro, já de saída. Pediram-nos 30.000 shillings, pagámos 20.000, mas devíamos ter dispendido apenas metade. Mas em África, a côr conta e a do dinheiro está patente em tons de... branco. Sabíamos que uns 600 km em autocarro marado da "Southern Express" iam ser dose, mas desconhecíamos que o motorista era completamente louco, "voando" a mais de 120 km/hora em caminhos de terra polvilhados de buracos e lombas. Adivinhem? Sentámo-nos na penúltima fila, sinónimo de que íamos sentir cada um dos (inúmeros)altos e baixos que o nosso corpo acompanhava com dorida paciência. Mesmo tomando precauções para evitar graves danos de coluna, Batista e Morais não evitaram ferimentos. Os braços têm marcas da violência da viagem. A ver se a crosta dura até Portugal...A cerca de uma hora do fim da viagem, "engasgou" e parou. Faltava gasolina. A bomba estava a uns meros dois ou três kms, mas estivemos quase uma hora parados. Já na confusa estação de Mtwara, negociámos rápida incursão para a fronteira, mas quando vimos que íamos viajar na traseira de uma pick-up por 40 km em caminhos de cabras, decidimos poupar o nosso já muito desgastado corpinho. Em boa hora o fizemos. A fronteira moçambicana fecha às 17:30 e jamais chegaríamos a horas. Teríamos de pernoitar no mato...
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Red Sonia
Sonia has a key-role in our lovely days in Nungwy.
This 26 years old swedish girl has been travelling for 4 months in Africa. Destiny (or something like that) took us in the same same bus to Nungwi and we finally met at the beach.
It was empathy at first sight and we spend all our time together. Lunches in "caos" Nungwy and dinners at sandy beach,allways with sea as scenary and fresh, tasty fish. Excellent talker, traveller with nice stories, great smile and, from now on, BIG fan of AfricaTrio. Well, if not, we'll cancel invitation to visit us :)))
Dear Miss Darinka, this trip will never be the same without the blue of your eyes and the red of your...
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