segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Um pulo até Nampula

Esta é a cidade que faz parte do imaginário da Sandra, sua terra Natal. Tem saudades das cores e aromas da terra. A Emília também foi "feita" em Namputa (com este calor, certamente muita mais gente foi feita aqui). Nossas boas (literalmente) amigas, a Nampula de que guardam memórias já é passado, uma ilusão.

À semelhança do que acontece um pouco por todo Moçambique, os portugueses deixaram saudade.
Fizeram obra e integravam a sociedade de um país bem mais organizado e moderno. Nos últimos 30 e tal anos, os nativos nada construíram e deixaram quase tudo ruir, incluíndo os pilares de uma comunidade que, ao que nos asseguram, é agora bem mais individualista e muito pouco "familiar". Esteticamente, não vimos pontos de interesse.

Hugo Neto, amigo do Batista e marido da Ana Luisa (nossa companhia em Pemba), foi-nos receber ao machibombo. O Hugo é o líder da Helpo (www.helpo.pt) em Moçambique e foi nosso cicerone no "mato", onde vimos "in loco" algum do trabalho de cooperação que a instituição desenvolve.

Já o sol tinha dado lugar à lua quando visitamos a missão católica liderada pelo padre Carlos Jacob, oriundo da Guarda há 12 anos. Para dois infiéis e um católico não praticante (Loureiro), o "senhor padre" foi uma benção. Obrigado pela simpatia... e pelo queijinho e chouriço que nos recordou os sabores da terra :)

O jantar em agradável esplanada interior foi acompanhado de boa música e de uma conversa com a simpática empregada, que tinha dificuldades em entender o humor de um quintento (o Tiago, da Helpo, completava o grupo) que passou momentos bem agradáveis...
Acabámos por seguir os conselhos dos nossos cicerones e decidimos voar para Maputo (2.800 km de machibombo, foi o que poupámos - Lisboa/Berlim por estrada, com menor qualidade).
Entretanto, enquanto não experimentávamos novo meio de transporte, fomos à Ilha de Moçambique, a umas três horas de viagem.

Stewart Sukuma











Dom Faria, Pemba já é nossa!


Ali estava ele: cabeludo, como sempre, e com um sorriso do tamanho de Moçambique. Fernando Faria, saudoso companheiro da SIC no Porto que há uns anos foi despromovido para a Capital. Nem tivemos tempo de pousar as malas, pois, poucos minutos após pisar terra firme, já estavamos a saborear o "chá" das cristalinas águas de Pemba (fora da cidade, pois, em muitas zonas, criminosamente, os locais, sem saneamento básico, defecam na praia).
Il Pirata foi o resort e praia privativa escolhidos para completarmos o dia. Um almoço em local paradisíaco e o desejo de voltar. O Faria instalou-nos principescamente na sua casa de praia, que em breve vai estar apta a receber turistas, num local paradisíaco em que um gigante embondeiro (são precisas umas 10 pessoas a dar as mãos para o abraçar) deixa a sua imagem de marca.
Em Pemba, relaxámos, conhecemos os hiper-simpáticos e hospitaleiros pais do Faria (Senhor Herculano e D. Celeste) e conhecemos alguns locais emblemáticos de uma cidade que já viveu melhores dias, antes de os portugueses terem sido forçados a abandonar o país, na apressada saída de África na transição para a também dura democracia. Faria lá andou nas suas apressadas lides enquanto nós pousávamos nos bares de praia, alternando mergulhos com cerveja/sumos naturais e almocinhos de praia: o jantar foi sempre em casa dos pais do Faria.
Ana Luísa, esposa do Hugo Neto, amigo do Batista, alegrou o nosso último dia completo em Pemba. Fez o favor de nos passear pela cidade, numa visita guiada que nos aproximou da realidade. Uma simpatia. Comunicativa e um bom exemplo da beleza lusa em África.
Em todos os sentidos. Após três noites, hora de abalar a novo destino. Os copos no Dolphin Pemba Bar (na praia) seguidos de visita tardia ao Farol, permitiu-nos dormir apenas hora e meia (perspectivaoptmista). O embaixador da Roménia em Moçambique foi uma simpatia e pagou-nos os copos. Pelos vistos era dia de festa no seu país. Agradecemos e ganhámos uma certa simpatia pelopaís que Ceausescu destruiu. O Senhor embaixador veio para ficar um mês e está em Moçambiquehá 20 anos. Não sabemos se chegou a resolver o "problema" que o trouxe ao país... Comprometemo-nos a estar no mochibombo às 04:30, mas eram 04:50 quando o fizemos e o TT do Faria deparou-se com um "monstro" em furiosa saída da garagem. Não se deteve, contornou o carro e zarpou. Mal despertos, ainda de para raciocionar e acelerar rumo à próxima paragem, onde, finalmente, conseguimos apanhar o "dito". Com emoção chegámos a Pemba, com aperto no coração a deixámos...

Até Pemba

Uma vez que íamos arrancar às 04:00 e estávamos num sábado à noite, não tratámos de estadia.Um motorista de machibombo convenceu-nos a viajar na sua companhia e logo arranjámos forma de nos livrarmos das malas.
À hora marcada lá estávamos (passamos a noite no bar ao ar livre mesmo em frente) e uma hora depois ainda percorríamos as ruas de Mocimboa da Praia à cata de mais clientes para a viagem que nos deveria deixar em Pemba às 10:00. Deveria...
Com o machibombo apinhado, pusemo-nos a caminho e, na primeira paragem fora da vila, ouviu-se um dos elementos da tripulação dizer para a multidão: "Só cabem 10, 15 no máximo!". Imaginam o resultado...Mesmo com largas dezenas de vidas nas mãos, o motorista (ambos estiveram no mesmo bar que nós beber cervejas até hora tardia) estava apostado em mostrar qualidades de piloto de rally e ziguezaguiava a velocidade louca pelas "estradas" de uma das zonas mais remotas de Moçambique.
Entre os vários sustos, houve um que nos cortou a respiração, pois imaginámos que tudo poderia ter acabado ali. Uma manobra louca de última hora, a uns 120 km/h num local onde nem deveria ir a 50 acabou por evitar a tragédia e colisão com outro veículo.A "speedar" daquela forma, não foi surpresa que, novamente, tivéssemos a má experiência de ver o machibombo ficar sem gasolina
a uns escassos 20 km da "meta". Nova seca até que, finalmente,Pemba se anunciou, curiosamente com a placa da cidade mesmo junto a uma enorme lixeira a céu aberto...